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Ser escritora

17/12/14

Neil Gaiman: Make Good Art

Neil é um autor britânico, muito conhecido por sua obra Coraline, Deuses Americanos, Belas Maldições, Os Filhos de Anansi, O Oceano no fim do caminho, e diversas outras obras. Também é inspirador em suas palavras. Um discurso seu que ficou bem conhecido (e marcou a frase "Faça boa arte"), de 2012 para cá, foi dito numa colação de grau universitária. Suas palavras, além de terem aberto a mente de cada um que estava ali presente, também consagrou conselhos bacanas e inspiram, não só aqueles que estavam ali no momento, mas a qualquer um que tenha acesso ao que foi dito. 
Fui muito inspirada por suas palavras, então acho digno compartilhar com vocês, tanto o vídeo, quanto a transcrição do discurso: 

"Eu nunca realmente esperei me encontrar dando conselhos para pessoas se graduando em um estabelecimento de ensino superior. Eu nunca me graduei em um desses estabelecimentos. E nunca nem comecei um. Eu escapei da escola assim que pude, quando a perspectiva de mais quatro anos de aprendizados forçados antes que eu pudesse me tornar o escritor que desejava ser era sufocante.
Eu saí para o mundo, eu escrevi, eu me tornei um escritor melhor na medida em que escrevia mais, e eu escrevi um pouco mais, e ninguém nunca parecia se importar que eu estava inventando as coisas à medida que prosseguia, eles simplesmente liam o que eu escrevia e pagavam por isso, ou não, e frequentemente eles me encomendavam alguma outra coisa pra eles.
O que me deixou com um saudável respeito e admiração pela educação superior do quais meus amigos e familiares, que frequentaram universidades, se curaram há muito tempo atrás.
Olhando para trás, eu trilhei uma caminhada memorável. Não tenho certeza de que posso chamá-la de uma carreira, porque uma carreira implica que eu tivesse algum tipo de plano de carreira, e eu nunca tive. A coisa mais próxima que tive foi uma lista que fiz quando tinha 15 anos com tudo que eu queria fazer: escrever um romance para adultos, um livro infantil, uma revista em quadrinhos, um filme, gravar um áudio-book, escrever um episódio de Dr. Who… e assim por diante. Eu não tive uma carreira. Eu simplesmente fui fazendo a próxima coisa da lista.
Então pensei em contar para vocês tudo que eu gostaria de saber de saída, e algumas coisas que, olhando para trás pra isso, suponho que eu sabia. E também em dar o melhor conselho que já recebi, o qual falhei completamente em seguir.
O primeiro de todos: quando você começa em uma carreira nas artes você não tem ideia do que está fazendo.
Isso é ótimo. As pessoas que sabem o que estão fazendo conhecem as regras, e sabem o que é possível e o que é impossível. Vocês não. E vocês não devem. As regras sobre o que é possível e impossível nas artes foram feitas por pessoas que não tinham testado os limites do possível indo além deles. E vocês podem.
Se vocês não sabem que é impossível é mais fácil fazer. E porque ninguém fez antes, não inventaram regras para evitar que alguém faça de novo, ainda.
Em segundo, se você tem uma ideia do que você quer fazer, sobre o que você foi colocado aqui para fazer, então simplesmente vá e faça aquilo.
E isso é muito mais difícil do que parece e, algumas vezes, no fim, muito mais fácil do que você poderia imaginar.
Porque normalmente, há coisas que você precisa fazer antes de que você possa chegar aonde quer estar. Eu queria escrever quadrinhos e romances e histórias e filmes, então me tornei um jornalista, porque jornalistas têm permissão para fazer perguntas, e para simplesmente ir adiante e descobrir como o mundo funciona, e, além disso, para fazer essas coisas eu precisaria escrever e escrever bem, e eu estava sendo pago para aprender como escrever economicamente, claramente, às vezes em condições adversas, e em tempo.
Algumas vezes o caminho para fazer o que você espera fazer estará claramente delineado; e às vezes será quase impossível decidir se você estará ou não fazendo a coisa certa, porque você terá de balancear suas metas e esperanças, e alimentar-se, pagar as contas, encontrar trabalho, e se adequar ao que pode encontrar.
Uma coisa que funcionou para mim foi imaginar que onde eu gostaria de estar – um autor, principalmente de ficção, fazendo bons livros, fazendo bons quadrinhos e me mantendo através de minhas palavras – era uma montanha. Uma montanha distante. Minha meta.
E eu sabia que enquanto eu me mantivesse andando em direção à montanha eu estaria bem. E quando eu verdadeiramente não estava certo acerca do que fazer, eu podia parar, e pensar se aquilo estava me levando em direção à montanha ou me afastando dela. Eu disse não para trabalhos editoriais em revistas, trabalhos adequados que teriam pago um dinheiro respeitável porque eu sabia que, por mais atrativos que fossem, para mim eles estariam me deixando mais distante da montanha. E se essas ofertas tivessem aparecido mais cedo talvez as tivesse aceito, porque elas ainda me deixariam mais perto da montanha do que eu estava à época.
Eu aprendi a escrever escrevendo. Eu tendia a fazer qualquer coisa conquanto que parecesse uma aventura, e a parar de fazê-la quando parecia trabalho, o que significou que a vida não se parecia com trabalho.
Em terceiro lugar, quando você começa, você precisa lidar com os problemas do fracasso. Vocês precisam ser osso duro de roer, precisam aprender que nem todo projeto sobreviverá. Uma vida como freelancer, uma vida nas artes, é muitas vezes como colocar mensagens em garrafas, em uma ilha deserta, e esperar que alguém encontre uma de suas garrafas, e a abra, leia, e coloque algo em outra garrafa que fará seu caminho de volta até você: apreço, ou uma encomenda, dinheiro, ou amor. E vocês têm de aceitar que vocês poderão lançar uma centena de coisas para cada garrafa que aparecerá retornando.

15/12/14

Para você, o que significa Ser Escritor?

Milhares de pensamentos tumultuam sua mente de uma só vez. Sentimentos vêm e vão, deixando marcas profundas, e muitas vezes cicatrizes dentro de nós. A vida lhe derruba de uma só vez, ou então, a alegria bate à porta e você não tem forças para tanto gritar. 
Gritar ao mundo enquanto está bem. Dizer, mesmo que não seja para ninguém, quando algo lhe fere. Escrever é estar cheio de si - quase transbordando - e querer compartilhar um pouquinho disso com alguém. Mesmo que seja para si mesmo. 
Talvez, escrever seja um processo literário de si para si. Ser escritor, é dar asas aos pássaros literários que existem dentro de nós. Libertar as borboletas que remoem nosso estômago, e deixá-los subir à cabeça - onde a criatividade reside - para retornar às pontas de nossos dedos - onde o pensar, torna-se o trabalho realizado. 
Escrever é ir de braços abertos ao encontro do vazio, e ser carinhosamente abraçado pelo emaranhado de palavras que se formam. É ir e vir, sem saber para onde ir, apenas tendo a certeza de que o caminho está ali sendo trilhado. 
É amar. É deixar a dor se esvair. Escrever, é permitir que as palavras dancem em sua mente, e que as palavras, tornem-se uma Orquestra, onde o maior maestro que existe - você mesmo -, dirige para qual espaço essas palavras, simples palavras, irão. 
Escrever, é ter algo a dizer ao mundo. Aquela coisa que você guarda no fundo do seu peito, mas já não cabe mais para si. É compartilhar, com outrem, aquela roupagem que já não lhe serve mais, ou que de tanto já serviu, precisa que outros a usem também. É tomar todas as dores do Universo, e fazer delas poesia. Aproveitar as alegrias, e colocar o seu sorriso, nos lábios de quem não conhece. É libertar-se das amarras que há muito o prendem. Ou, simplesmente, amarrar-se novamente - ao novo que transparece a cada amanhecer. É admitir à si mesmo que se errou, e acrescentar uma vírgula, onde perfeitamente caberia um ponto final. É amar, permitir que esse amor lhe transborde o peito, e partilhá-lo com quem o convém. 
É esperar encontrar um refúgio, quando o mundo lhe sufoca, e não tem-se para onde ir. Escrever, é encontrar emoção onde passa-se despercebido aos olhares alheios. É encontrar entre a irremediável angústia, a resposta para as tristezas que o acometem, e a mais tenra felicidade, invisível aos olhos preocupados. É o querer estar perto, quando os corpos estão separados. É procurar todas as analogias possíveis, para encontrar aquilo que só a sua alma é capaz de compreender. 
Escrever é tentar organizar as estrelas de seus pensamentos, em constelações. É fazer sentido. É se fazer sentido. É aquele processo que só se adquire quando se está em sintonia consigo. Ou quando tenta, através da palavra escrita, encontrar um meio de sintonizar-se seu corpo, à alma. A alma sente, e se transborda. O corpo, fica com a incrível tarefa de colorir e registrar, aquilo que está no nosso íntimo mais profundo. 
É deixar registrado à si mesmo o quanto o tempo modelou-a à sua vontade. Deixar um registro - como uma lágrima escorrida -, que aquilo que um dia jurou de pés juntos e palavras rabiscadas, que duraria para todo o sempre, só representou uma fase da sua vida, que assim como tudo nela, acabou. 
Escrever é a arte de ter algo a dizer, quando nem todas as palavras que conhecemos são capazes de expressar como nos sentimos. Escrever, é dançar conforme a música, mas deixar-se levar para outros passos não ensaiados. É encontrar luz onde só há solidão. É sentir-se protegido, quando a tempestade chega, é um amor sem medidas que nem nas mais doces palavras, caberiam. 
Ser escritor, é a arte de brincar consigo, na esperança de que um dia, essa brincadeira de palavras, serão as respostas das aflições de outrem. 
É permitir-se divagar, e criar um mundo somente seu. Existem milhares de escritores no mundo. Sempre existirão melhores que você, como piores também. Mas nenhum será capaz de tomar a sua voz, e dizer aquilo que só você pode. Nenhum poderá tocar e mudar as pessoas da forma como só você poderá. Já dizia Neil Gaiman. 
Então, o que está esperando? Deixe as palavras dançarem dentro de ti, e passe ao mundo aquilo que só você poderá passar. Tome seu papel de escritor, pois o meu, ah, o meu; já estou fazendo. 


20/10/14

#SerEscritor: 50 dicas úteis

Recentemente, recebi o e-mail de um leitor, o Marcus Palante, que me indicou alguns links bem interessantes para melhorar minha escrita e estar evoluindo sempre mais. Dei uma olhada no material, mas o que mais me chamou a atenção, foi o site Além do Cotidiano, do Sandro Massari, onde ele escreveu uma espécie de Curso de Roteiro de Cinema e Escrita. 
As dicas são muito interessantes, tanto para quem está começando agora, quanto para quem já coleciona em sua bagagem uma vida literária bem ativa. 
Separei um post que achei muito bacana, onde o autor dá 50 dicas rápidas para nós, aspirantes à escritores. Vale muito a pena dar uma lida, e colocá-las em prática. 

1. Escrever NÃO é um ato de inspiração, e sim um processo mecânico e repetitivo. Não fique esperando por uma ideia divina. Sente e escreva.

2. A habilidade de escrever é adquirida. Quanto mais você escrever, melhor ficará. Não tem essa de dom natural. Os grandes escritores erraram e ralaram muito.

3. Estude muito. Estude, estude, estude. Leia todos os livros que puder, veja todos os grandes clássicos do cinema, vá ao teatro, compre revistas em quadrinhos. Quanto mais ampla for sua cultura artística, maior será sua fonte de conhecimento.

4. Não é necessário "diploma" para ser escritor. Muitos dos grande gênios da escrita nunca colocaram os pés em uma faculdade. Portanto, não se preocupe com isso. Mas estude. E muito.

5. Busque sempre clareza em sua escrita. Nada de palavras difíceis e escrita arrastada. Estamos no século XXI e não no século XVIII. Seja objetivo.

6. O processo de escrita NÃO é linear. Você não precisa começar a escrever pelo início de uma história e nem escrever na ordem dos capítulos. Muitos começam pelo final.

7. Se der um branco no meio de uma frase ou parágrafo continue escrevendo. Pule de parágrafo, pule de página, pule de capítulo. Só não fique muito tempo olhando para um espaço em branco.

8. Nunca engane a audiência. Tudo que acontecer em sua história deve ter um fundamento. Nenhum personagem deve fazer algo que não se espera dele e não trate seu público como se fosse um bando de idiotas. Infelizmente as novelas atuais de TV estão aí para quebrar essa regra todo santo dia.

9. Saia de casa. Vá em lugares diferentes, conheça pessoas diferentes. Adquira experiência de vida e puxe papo com velhinhos na rua. Você não tem ideia de como isso ajuda no amadurecimento do escritor.

10. Não tenha projetos simultâneos. Se começou um livro, acabe esse livro. Se começou um conto, termine-o antes de começar outro. Fique focado em um projeto de cada vez.

11. Não fique corrigindo o tempo todo o texto. Acabe o primeiro rascunho (draft) da obra para depois se ater nos detalhes. O primeiro passo é acabar o rascunho. A escrita de verdade começa na revisão.

12. Escrever é reescrever. Faça o primeiro rascunho e depois reescreva até achar que ficou em um bom nível. Só não fique obcecado na revisão, senão você nunca acabará o texto.

13. Vença o desânimo que irá ocorrer no meio da obra. Quando estamos no meio de um projeto dá vontade de desistir, achamos que está uma porcaria e dá vontade de jogar tudo pro alto. É assim mesmo. Acontece também quando acabamos de escrever algo. Sempre achamos que está ruim. Afaste esse pensamento.

14. Escreva sobre algo. Mesmo que esse algo seja o nada, pelo menos você está dando uma direção ao texto. Saiba sobre o que você está escrevendo.

15. Escreva sobre algo que tenha importância para você. Não escreva sobre um assunto qualquer só porque está na moda  ou porque você acha que vai ter maior aceitação.

16. Evite descrições detalhadas, principalmente na literatura. Ninguém quer ler dez páginas sobre o clima do local ou a casa que o personagem se encontra. Quando J.R.R Tolkien escreveu o Senhor dos Anéis, com suas grandes descrições, ele estava preocupado não só em contar uma história, mas também em criar todo um mundo (Terra Média). Uma pesada descrição deixa o texto arrastado.

17. Valorize a ação e os diálogos. Deixe o roteiro ou o texto mais ágil e de fácil leitura. É muito melhor revelar detalhes sobre alguém através de diálogo e ação do que através de descrição. A ação ainda é mais eficaz que o diálogo. "Mostre, não conte".

18. Caso você seja um iniciante, busque sempre dividir a sua obra em três atos (Início, Meio e Fim). Não tente reinventar a roda de primeira.

19. Não dê todas as informações para o leitor logo de início. Espalhe-as pelo texto. Além disso, deixe espaço para o leitor poder criar com a própria mente partes de sua história. Valorize a imaginação do público.

20. Evite muitos personagens em uma história. Quanto maior for o número de personagens, maior será a dificuldade de fazer um bom texto e de dar vida a esses personagens.

21. Por incrível que pareça, fazer um início e um final não é tão complicado quanto preencher o meio da história. Procure, através de subenredos e de eventos importantes, manter o meio da história (o Ato 2) interessante.

22. Busque sempre variações na sua história. Varie os locais, o ânimo dos personagens, o clima, a hora do dia.

23. Não existe mais ideia original. Provavelmente tudo o que você pensar alguém já realizou. Porém, existem infinitas possibilidades de reescrever ou escrever algo novo sobre um tema já pensado. Desista de buscar a ideia revolucionária. Sente e escreva sobre algo do seu interesse.

24. Uma boa história é feita de conflitos intensos e dor. Seja na comédia, no desenho animado, no drama e em filmes de ação. Conflito e dor. A audiência quer que o personagem principal seja feliz. Torne isso difícil.

25. O escritor não precisa manter uma tensão insuportável a história inteira. Isso cansa o público. Crie alguns momentos de relaxamento e leveza.

26. Sempre escreva na formatação correta. Tenha um programa específico para roteiro, caso seja o seu objetivo.

27. Evite metáforas e comparações pomposas, pois diminuem a qualidade da escrita.

28. Sempre planeje sua obra antes de começar a escrevê-la. Tenha todas as cenas em cartões. Isso não significa que você não deva alterar algo, mas sim que você já tem um caminho para se guiar.

29. Não existe tema pequeno. Um bom escritor escreve sobre qualquer tema e lhe dá contornos épicos e dramáticos.

30. Fuja dos clichès e estereótipos. Eles podem até ser o seu ponto de partida, mas só.

31. Todo protagonista deve ter suas fraquezas. Todo vilão deve ter suas virtudes. Faça personagens reais e com sentimentos. Não faça um vilão caricato.

32. Uma boa história se baseia no princípio da ação crescente, ou seja, a situação do protagonista deve ficar cada vez pior e os conflitos mais intensos. Quando o público achar que nada pode piorar, você deve aumentar ainda mais os problemas dos personagens.

33. Não fuja do tema central da história. Muitos filmes pecam por isso. Se você se distanciar muito do tema central, pode ser que nunca mais o recupere.

34. Cuidado com as coincidências. Na vida real elas acontecem com frequência, mas em uma ficção dá ideia de preguiça. Evite-as ao máximo.

35. Os personagens secundários também são cruciais. Dê atenção a eles.

36. Após escrever e concluir o seu primeiro rascunho da obra, deixe-o em um canto por pelo menos 15 dias. Esqueça-o. Assim, quando você for realizar o processo de revisão, terá obtido o distanciamento necessário para fazer mudanças.

37. Você não precisa começar uma história no Era uma vez... Tente começar com uma ação, com algo dinâmico, para imediatamente prender a atenção do público.

38. As melhores histórias são aquelas que falam diretamente sobre as emoções que sentimos. São histórias "humanas" carregadas de moral e valores que são discutidos pelo autor e pela audiência.

39. Um escritor não é um pastor nem um padre. Não dê sermões para a audiência. Não empurre pela garganta do público o seu ponto de vista nem sua religião. Escreva de forma inteligente para que sua mensagem seja transmitida ao longo da história e de maneira bem sutil.

40. Não faça uma história super complicada. Confundir a cabeça do público não é um bom sinal. Faça sempre a seguinte pergunta: Por que a audiência tem que se importar com minha história e com meus personagens? Se nem você conseguir responder, é hora de repensar a trama.

41. O público precisa saber desde o início os desejos dos personagens, o que eles querem, mesmo que os próprios personagens não saibam. Assim, a audiência pode criar mais cedo uma empatia pelos personagens e se prenderem a sua história. Faça personagens ativos, que busquem a história e não somente fiquem reféns dos acontecimentos.

42. Os escritores geralmente valorizam muito o visual. Procure valorizar também outros sentidos como o paladar e o olfato. Assim abrem-se novas possibilidades de interações com a cena.

43. Lembre-se que as mudanças radicais em sua história não devem vir de uma hora para outra. Se o seu herói vai virar o vilão, deixe indícios de que isso pode acontecer ao longo do texto.

44. Mostre a obra para outros e tenha a sensiblidade de saber se a crítica é válida ou não. Mas sempre siga a sua intuição. Se o próprio Martin Scorsese disser que um personagem seu está fraco e você no seu íntimo não concordar, mantenha sua opinião. A obra é sua.

45. Leia seu texto em voz alta. Isso mesmo. Se soar bem, ótimo. Nas partes que não soar legal, você sabe que tem que mudar.

46. Estamos em 2012. Seu livro não precisa ser publicado por uma editora. Você mesmo pode colocá-lo a venda na internet.

47. É muito difícil transformar um roteiro de cinema em filme no Brasil. Faça o roteiro, mas também o adapte para um livro. Assim você terá mais chances.

48. Valorize sua imagem. Tenha um site ou blog com seus escritos.

49. A culpa é sempre sua. Não se esqueça disso. Não se faça de vítima e nem coloque a culpa de um ou outro fracasso em outro. Busque aprender com os erros.


50. Nunca desista.

03/10/14

Dê o melhor de si!

Ano quase chegando ao fim, traz consigo aquela nostalgia e velho pensamento batido de "Eu não fiz nada o ano inteiro!". Ora, não seja hipócrita. Será mesmo que em tantos meses que constituem um ano, você não fez nada, nadica de novo, sendo que nenhum dia é igual ao outro? 
Sei que o tempo pode ser curto para aqueles que tem longos e complexos planos na virada do ano (uma coisa que nunca entendi é o fato das pessoas deixarem para a virada do ano para fazerem seus planos, sendo que cada amanhecer é uma oportunidade nova de levantar a bunda da cadeira e colocar a mão na massa), mas esperar o tempo passar, assistindo seu destino como um figurante não ajuda. Uma coisa que você já sabe, mas é sempre bom repetir até que isso tenha algum efeito na prática: As coisas não vão cair do céu, nada virá fácil até seus braços. Ninguém consegue nada por mérito se não fizer, e parar de deixar tudo para esse amanhã, ou novo ano que nem pode vir. 
Um novo mês ajuda a renovar nossas energias e nos faz refletir em quem nós somos, e quem nós precisamos ser para atingirmos aquilo que queremos. Nossos planos mudam, as circunstâncias se alteram, mas a cada caminho - até mesmo aqueles que você fez por engano -, são oportunidades novas que a vida lhe está dando. 
Então, pra que enrolar? Não faça tantas delongas, trace seu objetivo e persista até o fim. Se não conseguir chegar onde quer ainda, pelo menos você sabe que terá tentado, e tentando mais ainda, você vai conseguir no futuro. Tenha fé. Nada é tão impossível que não possa ser atingido. 
Quer um conselho? (se não quiser, deixarei bem registrado mesmo assim): Dê o seu melhor. Em tudo, a cada coisa que for fazer. 
Se não conseguiu? Bem, pelo menos você sabe que tentou ao máximo, e não se deixou derrotar por uma bobagenzinha qualquer. 
Não se acomode. Não existe tempo melhor para começar o que pretende fazer, do que o tempo presente. Se for empurrando com a barriga, chega uma hora que ela nem aguenta mais. 
No começo do ano, eu nem imaginaria um terço das coisas que me aconteceram até o presente momento, todas as realizações, superações e felicidades. Então, por que não buscar algo a mais? Desde que o prazo de início não passe de hoje. 

01/10/14

REFLEXÃO: Nós Aceitamos o Amor que Achamos Merecer

O tempo todo eu sinto como se eu sempre estivesse no lugar errado e na hora errada. Muitas vezes eu penso que eu nunca tive amigos, tipo ''verdadeiros amigos'', o que me faz pensar que eu estou sozinho e que sempre será eu e eu mesmo contra tudo o que eu tenho sofrido, e continuo sofrendo.

Me dói saber que a vida é um ciclo viciante e de erros e acertos. Me dói mais ainda saber que na da é infinito, mas que me dá total direito de me sentir como tal... infinito.
Eu procura pensar sempre que meus problemas são o que menos importa, e que existem milhares de outras pessoas com problemas piores que os meus e que eu só sou apenas um ponto insignificante no meio de tanta gente. No meio do mundo... Mas não é justo desvalorizar meu problema por ele não ser o pior, ou por não ser um do mais fáceis. E sempre me dói em ter que pensar que eu não posso ter ninguém comigo, sendo que nem eu mesmo, eu amo. Sendo que nem mesmo eu consigo entender outras pessoas sem primeiro me entender.

É fato de que pessoas e mais pessoas entram e saem da sua vida sem muita pretensão, e que sempre deixam um pedacinho de si dentro de você. Que por mais inútil aquela pessoa tenha sido, e que por mais falsa que ela tenha se comportado, é bacana pensar que fora necessário.
Ela cresceu, você amadureceu. Aprendeu coisas que sem a ajuda de quem podemos classificar de 'inútil em nossas vidas'', você nunca teria conquistado. Ou pelo menos levado anos para entender, aprender e aplicar no seu dia a dia. 

Então podemos concluir que a vida é feita de um tutorial que pode levar infinitos passos até que você alcança o desejável. E cabe a você saber e descobrir qual é o seu próprio desejável.


27/09/14

PORQUE VOCÊ FEZ ISSO COMIGO? [I'll break your heart] - PART 1 (crônica)

Eu estava sozinha, mais uma vez. Jogada como se fosse um completo nada, o que eu era de fato. Eu não queria estar ali mas eu mesmo me obrigava a estar.
Eu precisava de muita gente que não pode me dar atenção nesse momento. Eu precisa de tudo que me desse atenção e eu não tinha.
Aquela dor remoía cada parte do meu corpo e eu simplesmente não conseguia acreditar o quão burra eu fui e o quão influenciável eu tinha sido por muitos anos da minha vida. Quem sabe não só com ele, mas a verdade é que eu passei toda a minha vida muito tranquila de mim mesma, mas de fato não sabia o que estava na minha cabeça naquele momento.
Era uma manhã de sábado e eu tinha acabado de sair do banho. Estava me arrumando e ao mesmo tempo espiava se nenhuma atualização no Facebook me fizesse instantaneamente parar o que eu estava fazendo e começar a ler. Isso movia meu dia completamente. Batom, rímel e um pouco de blush; peguei meu secador e comecei a arrumar meu cabelo. Parecia que todos na face da terra resolveram não compartilhar coisas legais naquela manhã, nenhum dos meus amigos estavam online. Gus estava trabalhando em uma nova música para a banda. Lika tinha acabado de entrar de férias da faculdade e fora viajar pela Europa, mas minha vida continuava a mesma.
Foi então que eu lembrei de um site onde você entra e conversa com pessoas estranhas de todos os lugares do mundo, um tal de Omegle. No início a ideia era aprender ou praticar uma língua nova, mas como tudo que aparece novo a galera chata tenta de alguma forma deixar chato, tinha muito pornô barato, muito cara fazendo coisas estranhas, muita gente bonita... até que eu finalmente acho um cara interessante e resolvi puxar conversa:

- olá =)

[...]

- então, outro dia eu conversei com um pinguim fantasiado de saci

- HAHA! ele digitava com o pé?

- SIM! e dançava tb!

- não é possível! vc tem as melhores histórias! hahaha!

- me adiciona no msn, você é a primeira pessoa legal que eu encontrei aqui (e a mais bonita tb :$) ed@unknow.com

- hahahahawnn (vergonha)

- não resisti, desculpa! culpa do pinguim!

- hauahuahau!!! aham! vou te achar lá sim ;***

Eu tinha me apaixonado, definitivamente. Para um pessoa que por muito tempo ficou sozinha, isso era o caminho para o paraíso. E eu pensei que tudo seria difícil, monótono e devagar. Até que eu passei bem pelo primeiro teste.
Eu me sentia muito estranha, como se não fosse a mim mesma, como se eu não estive ali ou em outro lugar do espaço. Eu me sentia mais eu. Eu estava amando.
Depois disso eu tentei me concentrar um pouco nas letras de música que o Gus tinha me mandado mais cedo, tentei criar uma melodia mas não conseguia pensar em muita coisa. Esse tal de Ed me deixou nas nuvens. E então meu celular apita e eu vejo que é uma mensagem instantânea da Lika, era uma foto da Torre Eiffel de um ângulo como se ela conseguisse tocar o topo da torre. Fiquei até certo ponto com inveja de não ter aceitado o convite e ter ido com ela,  mas Gus precisa de mim aqui para resolver coisas burocráticas da banda, não hesitei e fiquei.
Resolvi não responder mas tive medo de que ela visse minha visualização, então mandei uma carinha feliz.
No grupo do Facebook ninguém tinha agitado para nada nesse final de semana, o que era um pouco chato passar a tarde toda em casa.

[...]

Eu estava sentada observando as crianças no parque aqui da represa. De certa forma me relaxava, porém eu não queria de maneira alguma pensar em banda, Ed ou viagens por aí.
Acendi um cigarro, abri uma latinha de energético e continuei a observar tudo, a natureza...

- É incrível como aqui é tão diferente não é? - essa voz me assustava e ao mesmo tempo me reconfortava, ela soava logo atrás de mim - Lá fora é tudo uma correria, pessoas atrasadas, tempo para cumprir, coisas para fazer... - vagarosamente ele se aproximara e sentara a meu lado. Era Caio - Eu adoro aqui, é tão tranquilo.

-Sim, é ótimo - tentei responder de uma forma a partilhar toda a filosofia dele. E era disso que eu mais gosta nele, no Caio. Ele conseguia extrair felicidade das coisas mais simples da vida - eu gosto de estar aqui as vezes.

Ficamos por muito tempo ali, parados, observando o que a natureza tinha de melhor. E o sol estava se pondo cada vez mais. Conversamos sobre muitas coisas até que enfim, tive que ir embora. Peguei meu carro no estacionamento, dei uma carona pra ele até o ponto de ônibus e segui caminho até em casa.
O que eu fiz foi ir direto para o computar, adicionei o carinha que tinha conhecido mais cedo, hoje. E por incrível que parece, ele estava online.

** Essa é uma adaptação a animação da MTV, Anna Bee.










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25/09/14

RESENHA - Divergente (Filme)


Direção: Neil Burger
Roteiro: Evan Daugherty, Vanessa Taylor
Elenco: Shailene Woodley, Theo James, Zoë Kravitz, Ansel Elgort, Maggie Q, Jai Courtney, Ashley Judd, Miles Teller, Kate Winslet
ProduçãoLucy Fisher, Pouya Shabazian, Douglas Wick
Ano: 2014
País: EUA
Gênero: Aventura/Ficção Científica/Ação

 Eu fiquei muito feliz quando soube que Divergente iria virar filme. Eu descobri o livro há algum tempo atrás, 2011 ou 2012. Quando ele finalmente lançou eu resolvi esperar toda essa ''fome''/''necessidade'' de um novo Harry Potter, de um novo Senhor dos Anéis ou de um novo Jogos Vorazes passar para que eu pudesse assistir, e ainda ler toda a saga. Mas eu não consegui esperar tanto tempo e resolvi assistir logo.
O que mais me chama atenção no filme todo é com certeza o cenário. Toda a história de passa em uma Chicago futurística. E realmente Chicago fora remodelada para receber essa história, o que me impressionou muito. Já as atuações deixaram muito a desejar. Pra quem não conhece, ambos os personagens principais, ou a Tris e seu irmão Caleb são os protagonistas de A Culpa É Das Estrelas (filme), o que eu hesitei em primeiro momento e cheguei a duvidar se o filme seria tão bom assim, já que a atuação de ambos, pelo menos em Divergente, está péssima. No final eu acabei lendo o livro, e me decepcionei muito. Eu não sei explicar ao certo todos os pontos que me decepcionaram, mas a história ao todo é um pouco sem graça, principalmente do ponto de vista da Tris que deixa tudo um tanto irritante. Acho que deve ser por isso que a autora, Veronica Roth, lançou um 4º livro da saga, não uma continuação, mas sim um bônus. O livro chama Four ou Quatro. Sim o personagem Quatro na série. Esse livro mostrará toda a história do ponto de vista do Quatro.
Falando aqui e agora, estou mais ansioso para ler logo esse livro. Mas sem previsões de lançamento aqui no Brasil. Finalizando, digo que o filme me ''surpreendeu'' quanto ao livro, mas ainda sim tem muito que evoluir nos próximos 4 filmes, já que a Summit Entertainment resolveu dividir o último filme, Convergente, em duas partes como feito em Crepúsculo, Harry Potter, Jogos Vorazes também terá. Isso apenas pra lucrar mais com as vendas e todos os paranauês. Assim como Crepúsculo evoluiu muitoooo, em termos de fotografia, resolução, enredo após o primeiro filme, fingers crossed para que Divergente melhore. 



Avaliação Final:  

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