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Ser escritor(a)

10/05/15

22 conselhos de Stephen King para escritores

King é um escritor notável. Quanto a isso, não tem o que discutir! Com dezenas de livros publicados, milhões de exemplares vendidos, e muita gente com insônia após algum livro dele, filmes baseadas nos livros, séries. Ele escreveu um livro (On Writing: A memoir of the Craft, que lerei em breve, assim espero eu), dando diversas dicas para escritores, que nada mais são, do que suas próprias experiências no ramo (e que experiências, diga-se de passagem).
Encontrei em um site (fonte abaixo do texto), no qual 22 dicas do mestre foram postadas, e achei super relevante. Para quem não conhece, aí vai:

1. Pare de assistir à televisão. Ao invés, leia tanto quanto puder
Se você for um escritor iniciante, sua televisão deve ser uma das primeiras coisas a serem eliminadas. É “venenosa à criatividade”, diz Stephen.  Os escritores precisam olhar para dentro de si mesmos e direcionar a atenção à vida da imaginação.
E para tanto devem ler o máximo possível. King leva consigo um livro a todo lugar que vai e lê até mesmo durante as refeições. “Se você quiser ser um escritor, deve fazer duas coisas acima de todas: ler muito e escrever muito”. Leia muito e trabalhe constantemente para refinar e redefinir seu trabalho enquanto lê.
2. Prepare-se para mais falhas e críticas do que pode lidar
King compara escrever ficção a travessar o Atlântico em uma banheira, pois em ambos “há inúmeras oportunidades para duvidar de si mesmo”. Não apenas vai duvidar de si mesmo como também haverá outros duvidando de você. “Se você escrever (ou pintar, dançar, esculpir ou cantar, acredito) alguém irá tentar te fazer se sentir mal por isso”, King escreve.
Constantemente você tem que continuar escrevendo mesmo quando não está com vontade de fazê-lo. “Parar um trabalho apenas porque é difícil, seja emocionalmente ou por bloqueio de criatividade, é uma má ideia”, ele escreve. E quando falhar King sugere que continue otimista. “Otimismo é uma resposta perfeitamente adequada à falha”.
3. Não perca seu tempo tentando agradar as pessoas
De acordo com King, a grosseria deve ser a menor de suas preocupações. “Se você pretende escrever da forma mais verdadeira possível, seus dias comomembro da sociedade bem-educada estão com os dias contados”. King costumava se envergonhar do que escrevia, especialmente após receber cartas que o acusavam de ser preconceituoso, homofóbico, sanguinário e até mesmo psicopata.
Por volta de seus 40 anos, percebeu que todo bom escritor já fora acusado de não possuir talento algum. King resolveu esse dilema definitivamente. Ele escreve: “Se você não aprova o que escrevo, posso apenas dar de ombros. É só o que tenho”. Como não poderá agradar a todos os leitores o tempo todo King aconselha que pare de se importar.
4. Escreva principalmente para você mesmo
Você deve escrever porque isso traz felicidade e satisfação. “Eu escrevo pelo puro prazer do ato, e se você puder escrever por prazer, você pode escreverpara sempre”.
O escritor Kurt Vonnegut fornece um insight parecido: “Encontre um assunto com o qual se importa e que sinta que outros também vão se importar. Será este genuíno cuidado – não seu jogo de palavras – o mais sedutor e cativante elemento em sua escrita”.
5. Enfrente o que for mais difícil escrever
“As coisas mais importantes são as mais difíceis de dizer”, King escreve. “São aquilo de que você sente vergonha porque palavras degradam seus sentimentos”. A maioria das grandes obras são precedidas de horas de reflexão. Segundo King “A escrita é o pensamento aprimorado”.
Ao abordar assuntos difíceis certifique-se de ir a fundo. King diz “Estórias são objetos encontrados, como fósseis no solo… Estórias são relíquias, partes de um desconhecido mundo pré-existente”. Escritores deveriam ser como arqueologistas que escavam por tanta história quanto podem encontrar.
6. Ao escrever desconecte-se do mundo exterior
A escrita deve ser uma atividade completamente íntima. Coloque sua mesa no canto de uma sala e elimine toda possibilidade de distração, desde telefones até janelas abertas. Stephen aconselha: “Escreva com a porta fechada; reescreva com a porta aberta”.
Você deve manter total privacidade entre você e seu trabalho. O primeiro rascunho é “completamente cru, o tipo de coisa que me sinto livre para fazer com a porta fechada – é a história nua, vestida apenas de meias e roupas íntimas”.
7. Não seja pretensioso
“Uma das coisas realmente ruins que você pode fazer ao seu trabalho é rebuscar o vocabulário, à procura de palavras longas por estar ligeiramente envergonhado de usar as curtas”, diz o autor que compara este erro ao de vestir um animal de estimação em trajes de gala – ambos o animal e o dono estarão constrangidos pelo excesso.
Um icônico empresário, David Ogilvy, escreve em um memorando para seus funcionários: “Nunca use jargões como reconceptualizar, desmassificação, atitudinalidade, criticalidade. Estes são símbolos de um idiota pretensioso”. Além disso, não use símbolos a menos que seja necessário. “Simbolismo existe para adornar e enriquecer, não para criar um senso artificial de profundidade”, escreve King.
8. Evite advérbios e parágrafos longos
Conforme King enfatiza várias vezes “os advérbios não são seus amigos”. Ele acredita que “a estrada para o inferno é pavimentada com advérbios” e os compara a dentes-de-leão que estragam seu gramado. E são ainda piores após frases com “Ele disse” e “Ela disse”– frases estas que funcionam melhor sem complemento nenhum.
Você também deve prestar atenção em seus parágrafos para que eles fluam com as reviravoltas e o ritmo de sua estória. “Parágrafos são quase sempre igualmente importantes por sua estética e pelo que dizem”.
9. Não exagere na preocupação com a gramática
De acordo com King escrever é principalmente sobre sedução, não precisão. “A linguagem não deve sempre usar gravata e sapatos finos. A ficção não se trata de exatidão gramatical, mas sim de fazer com que o leitor esteja receptível e confortável à estória para que então você possa contá-la”. Você deve concentrar-se em fazer o leitor se esquecer de que está de fato lendo uma estória.
10. Domine a arte da descrição
“A descrição começa na imaginação do escritor, mas deve acabar na mente do leitor” escreve King. A parte importante não escrever o suficiente, mas também limitar o quanto você escreve. Visualize a experiência que quer que o leitor tenha e então transcreva o que vê em sua mente para palavras. Você precisa descrever de uma forma que vá trazer ao leitor uma sensação de reconhecimento” ele diz.
A chave para uma boa descrição é a clareza, tanto em observação quanto em escrita. Utilize imagens claras e vocabulário simples para evitar que o leitor se sinta exaurido. “Em muitos casos quando o leitor abandona alguma estória porque está chata, tal sensação se dá porque o autor se inflou com seus poderes de descrição e perdeu de vista suas verdadeiras prioridades, que seria manter o andamento da estória”.
11. Não dê informação de contexto demais
“O que você precisa lembrar é que existe uma diferença entre falar sobre o que você sabe e usar isso para enriquecer história”, escreve King. “Isso é bom. Aquilo, não”. Inclua apenas detalhes que levem a história para frente e que motivem o público a continuar lendo.
Se for utilizar de alguma pesquisa, tome cuidado para não ofuscar a história. Pesquisas devem ficar “ao máximo no pano de fundo e no contexto”, diz King. Você pode estar intrigado com o que está aprendendo, mas seus leitores vão se importar mais com os personagens e suas histórias.
12. Conte histórias sobre o que as pessoas realmente fazem
“Uma escrita ruim é muito mais que péssima sintaxe ou má observação; uma escrita ruim geralmente surge de uma forte recusa de contar histórias sobre o que as pessoas realmente fazem — encarar o fato, digamos, de que assassinos às vezes, ajudam senhoras idosas a atravessar a rua”, escreve King. As pessoas em suas histórias são aquilo com o que os leitores mais se importam, então, certifique-se de que você tenha conhecimento de todas as dimensões que seus personagens podem ter.
13. Corra riscos; não fique só naquilo que é seguro
Primeira e mais importante dica, pare de usar a voz passiva. É o maior indicador de medo. “Eu estou convencido de que o medo é o maior responsável por uma escrita ruim”, diz King. Escritores devem endireitar os ombros, levantar a cabeça e deixar a escrita comandar.
“Experimente tudo o que quiser, não importa o quão entediante ou chocante isso possa ser. Se funcionar, ótimo. Se não, esqueça”, afirma King.
14. Perceba que você não precisa de drogas para ser um bom escritor
“A ideia de que o esforço criativo e de que as substâncias que alteram a mente estão ligados é um grande mito pop-intelectual do nosso tempo,” diz King. Aos seus olhos, os escritores que abusam de substâncias são apenas viciados. “Qualquer discurso de que drogas e álcool são necessários para encontrar uma maior sensibilidade é só besteira”.
15. Não tente roubar a voz de alguém
Como King diz “Você não pode ver um livro como um míssil a ser lançado”. Quando você copia o estilo de outro autor por qualquer razão além de prática, você produz nada além de “pobres imitações”. Isso acontece porque não se pode recriar a forma como experimenta uma verdade, especialmente com uma olhada rápida a vocabulário e trama.
16. Entenda que a escrita é uma forma de telepatia
“Todas as artes dependem de algum grau de telepatia, mas eu acredito que escrever é sua pura essência”, conta King. Um importante elemento da escrita é a transferência. Seu trabalho não são as palavras na página, mas sim a transferência de ideias da sua cabeça para a cabeça dos leitores.
“As palavras são só o meio pelo qual a transferência acontece”, afirma King. Em seu conselho sobre escrita, Vonnegut também recomenda que os escritores “usem o tempo de um total estranho de uma forma que ele ou ela não se sinta perdendo tempo nenhum”.
17. Leve sua escrita a sério
“Você pode abordar o ato de escrever com nervosismo, excitação, esperança ou desespero”, diz King. “Faça isso de qualquer forma, menos sem seriedade”. Se não quer levar sua escrita a sério, ele sugere que você feche seu livro e faça outra coisa.
Como diz a escritora Susan Sotang, “a história deve atingir um nervo — em mim. Meu coração tem que acelerar quando eu ouvir a primeira linha na minha cabeça. Eu tenho que tremer diante do risco”.
18. Escreva todo dia
“Uma vez que eu começo a trabalhar em um projeto, eu não paro e não diminuo o ritmo, a menos que eu precise”, diz King. “Se eu não escrevo todo dia, os personagens começam a fugir da minha mente… Eu começo a me perder o enredo e o ritmo.”
Se você falha em escrever de forma consistente, a animação com a ideia começa a desaparecer. Quando o trabalho começa a parecer com uma obrigação “é o beijo da morte”— King descreve. Seu melhor conselho é que trabalhe com “uma palavra por vez”.
19. Termine seu primeiro rascunho em três meses
King gosta de escrever 10 páginas por dia. No período de três meses, isso soma cerca de 180.000 palavras. “O primeiro rascunho de um livro — mesmo o de um longo — não deve levar mais que três meses, o tempo de uma estação”, ele diz. Se você precisa gastar muito tempo em seu trabalho, King acredita que a história começa a tomar um ar estranho.
20. Quando terminar de escrever, afaste-se por um tempo
King aconselha seis semanas de “recuperação” depois que você terminar de escrever, assim, você pode clarear sua mente para amarrar as pontas soltas do enredo ou melhorar o desenvolvimento de personagens. Ele pontua que a percepção inicial de um escritor sobre um personagem pode ser tão errada quanto à de um leitor.

King compara o processo de escrita e revisão com a natureza. “Quando você escreve um livro, você passa dia após dia detectando e identificando as árvores”, ele escreve. “Quando você acaba, você tem que voltar atrás e olhar a floresta”. Ao encontrar os erros, ele diz que “você está proibido de se sentir deprimido por causa deles ou de se condenar. Erros acontecem com os melhores de nós”.

21. Tenha coragem de fazer cortes
Ao revisar, autores geralmente têm dificuldade de descartar palavras que passaram muito tempo escrevendo. Mas, como King aconselha, “Desapegue, desapegue, mesmo que parta seu egocêntrico pobre coração escritor, desapegue”.
Embora revisão seja uma das partes mais difíceis de escrever, você precisa deixar de fora todas as partes chatas para que a história possa fluir. Em seu conselho sobre escrita, Vonnegut diz que “se uma sentença, não importa quão excelente, não esclarece seu assunto de alguma forma útil e nova, jogue fora”.
22. Continue casado, seja saudável e viva uma boa vida
King atribui seu sucesso a duas coisas: sua saúde física e seu casamento. “A combinação de um corpo saudável de uma relação estável com uma mulher independente que não tira aceita desaforo de mim ou de qualquer um fez a continuidade da minha vida profissional possível”, ele escreve.

É importante ter um forte equilíbrio em sua vida para que a escrita não consuma tudo. Nos 11 mandamentos do pintor e escritor, Henry Miller, ele aconselha: “Mantenha-se humano! Veja pessoas, vá a lugares, beba se quiser.”

07/05/15

|Resenha| Dragões de Éter - Caçadores de Bruxas

Foto tirada enquanto eu deveria estar prestando atenção na aula. Faz parte! 

Editora: LeYa
Páginas: 438
Autor: Raphael Draccon 
Gênero: Ficção - Literatura juvenil 
Título: Caçadores de Bruxas 
Trilogia: Dragões de Éter
Sinopse: Nova Ether é um mundo protegido por poderosos avatares em forma de fadas-amazonas. Um dia, porém, cansadas das falhas dos seres racionais, algumas delas se voltam contra as antigas raças. E assim nasce a Era Antiga. 
Essa influência e esse temor sobre a humanidade só têm fim quando Primo Branford, o filho de um moleiro, reúne o que são hoje os heróis mais conhecidos do mundo e lidera a histórica e violenta Caçada de Bruxas. 
Primo Branford é hoje Rei de Arzallum, e e por 20 anos saboreia, satisfeito, a Paz. Nos últimos anos, entretanto, coisas estranhas começam a acontecer... 
Uma menina vê a própria avó ser devorada por um lobo marcado com magia negra. Dois irmãos comem estilhaços de vidro como se fossem passas silvestres e bebem água barrenta como se fosse suco, envolvidos pela magia escura de uma antiga bruxa canibal. O navio do mercenário mais sanguinário do mundo, o mesmo que acreditavam já estar morto e esquecido, retorna dos mares com um obscuro e ainda pior sucessor. E duas sociedades criminosas entram em guerra, dando início a uma intriga que irá mexer em profundos e tristes mistérios da família real. 
E mudará o mundo. 
 Aposto que muitos de vocês já terão lido esse livro - ou melhor, a trilogia toda -, afinal, Raphael os publicou há um bom tempo, e repercutiu muito bem Brasil afora, como um grande sucesso da literatura nacional em fantasia. 
 O livro destaca-se por criar - ou melhor, descobrir, como o próprio autor cita em uma parte -, o universo de Nova Ether, onde todos os contos de fadas juntam-se de forma magnânima, apresentando personagens mais fortes e intensos do que nas famosas historinhas de bardos. 
 De forma criativa, ele consegue encontrar explicações sobre o porquê de alguns fatos terem ocorrido nos contos que sempre nos deixaram instigados, como por exemplo, por que raios a mãe da Chapeuzinho deixaria uma menina de 9 anos andar sozinha pela floresta, para ir à casa de sua avó? Ainda mais, com um lobo perigoso a solta. #quemnunca. 
 Bem, o livro começa basicamente com a apresentação dessa personagem, o ocorrido e como ela foi salva e que aquele evento mudaria sua vida para sempre. Afinal, uma garota de 9 anos de idade, vendo sua avó ser devorada por um lobo grotesco, é de traumatizar qualquer um. Achei bacana a explicação que o Draccon deu para o chapéu dela ser vermelho (que na realidade, era branco no início, mas ficou vermelho de sangue da avó). A personagem é conhecida pelo nome de Ariane, e ela possui um carisma tão agitado, que foi difícil não me encantar com ela. Por inteiro! 
 A primeira parte, basicamente, explica a estória dos personagens e os apresenta. O barato do livro, é ir descobrindo quem são os personagens conforme os contos de fadas. 
 Os capítulos são bem curtos, o que acaba sendo uma jogada interessante. Sabe quando você começa a ler, e pensa: Só mais um capítulo? E quando menos percebe, já leu 100 páginas, e olhe lá. 
 A leitura é bem fluída, com um narrador onisciente. Percebe-se que o Raphael é mais do que um escritor. É um verdadeiro contador de histórias, pois em diversos momentos da narrativa, senti que ele estava realmente contando a estória para mim, e não simplesmente jogando os fatos. Essa aproximação de leitor com o autor cria uma sincronia tão interessante, que você se sente realmente parte de tudo isso. Ainda mais, com um capítulo especial que o Draccon escreveu, apresentando à si mesmo. Okay! Não vou dar spoilers sobre isso.  
 O livro todo é dividido em três atos, o final de cada um, puxando um gancho para o próximo. É o tipo de livro que se você pegar para ler mesmo (desde que você não tenha que trabalhar, estudar ou fazer um TCC), você lerá em um final de semana. Li em três semanas - ninguém precisava saber -, tendo terminado as últimas 30 páginas entre uma aula de português e uma de TGA. 
  A única crítica que tenho a fazer, é que em certos pontos, o narrador cortou alguns clímaxes bem intensos, para fazer alguma explicação aleatória sobre o assunto. Ou então, quando o narrador explicava basicamente tudo, não deixando nem pelo menos um pequeno mistério no ar. Mas são coisinhas bobas que dá para relevar. 
 No geral, se você ainda não o conhece, super recomendo. Confesso à você que em alguns momentos fiquei confusa, um tanto perdida e com vontade de abandonar tudo, mas o final fez valer a pena. E como uma amiga minha me disse uma vez, nessa trilogia, um livro é melhor do que o outro. 
 Sendo assim, que venha Corações de Neve, o segundo livro. 

03/05/15

Se tudo fosse fácil!

   
  Se tudo fosse fácil, eu deixaria a preocupação de lado. Escalaria a mais alta montanha, e mergulharia no oceano sem medo do gosto salgado. Deixaria as rimas baratas. Só me contentaria com Cecília Meireles, e olhe lá. 
   Se simples assim fosse, eu viveria cada dia por mim mesma, sem pesar as consequências do amanhã. Não daria limites para minha liberdade de ser quem eu quiser. Amaria! Simplesmente pelo amor. Pela vida. Por você. Amaria, mesmo se não me amares de volta. 
    Se simples assim fosse, descansaria meus ombros, e entre um respirar e outro, suspiraria em paz. Não pensaria antes de tomar qualquer decisão, pois independente do caminho, sei que acertaria. Se fosse fácil, eu não me culparia tanto quando as coisas dessem errado, já que, elas raramente dariam. Se assim fosse, uma música ou outra não seria capaz de remexer tantos sentimentos adormecidos, e bagunçar com aquilo que ainda existe e não era para estar ali. Quando o café começa a ficar muito amargo, uma leve mexida no copo pode fazer o açúcar do fundo adocicar o que resta. 
    Se não fosse tão complicado, poderia escolher o caminho mais viável. Onde a felicidade estaria na trajetória, e a imensidão de alegria, no êxito da chegada. Eu poderia voltar atrás, e refazer o que não saiu bem feito. Poderia eu, jogar tudo para o alto sem que as consequências pesassem tanto. Poderia! 
    Olha só, amigo, se fosse fácil assim, eu não pesaria tantas coisas em minha mente. Não precisaria ter receio do futuro, angústias do passado. O que importa é o hoje, certo? Se assim for, eu finalmente suportaria que existem certas coisas, que é melhor deixar ir. Eu admitiria, que não existem palavras suficientes para dizerem tudo aquilo que se passa dentro de mim. Se for simples, você me entenderá com um verso rabiscado, uma frase malfeita, ou um texto inacabado. 
   Se tudo fosse fácil, não permitiria você me olhar nos olhos, e causar esse efeito devastador sobre mim. Se fosse simples, eu evitaria seu toque, fugiria de seu sorriso, e não entrelaçaria os dedos em seu cabelo preto. Se fosse fácil, eu fugia. Para longe do seu olhar, do seu sorriso, do seu cabelo preto. Para onde, nada disso causasse um efeito devastador em mim. 
   Se tudo fosse fácil! 

15/04/15

Das coisas que eu te diria!


Ei, Ju! Estava pensando esses dias em lhe escrever, sem ter a mínima do que poderia te dizer. Seria bom se de algum modo você pudesse encontrar essas coisas que agora lhe escrevo, mas sei que não será possível.
Ainda não inventaram uma máquina do tempo, na qual eu poderia mandar uma carta para mim mesma, quatro anos antes do tempo em que vivo agora. Bem, como não posso fazer isso, vou fingir que esse paradoxo de espaço-tempo não existe, e que você ainda receberá essa carta.
Sei que nesse momento, você acabou de voltar da escola. Se acha que estudar de manhã é ruim, tendo a sua escola praticamente na esquina de casa; espere só para ver como será daqui dois anos, quando você tiver que trabalhar em outra cidade, nesse horário, e ainda, ir para o colégio durante a noite.
É cansativo, mas devo lhe confessar que sua vida sem correria, seria muito chata. É bom ter um agito, e olha, desses quatro anos para cá, muita coisa irá mudar. Só posso lhe garantir, que para melhor.
Não se preocupe agora com a solidão. Esse pode até ter sido um dia triste mas as coisas estão para mudar, e será em breve.
Eu sei do que estou falando. Pode confiar!
Sei de todos os seus pesares. Essa dor que você carrega no peito, pode até ser bem angustiante, eu sei, mas passa. Assim como todas as coisas na vida, que vem e vão e prosseguem nesse caminho, como em uma imensa roda-gigante.
E de todas as voltas que o mundo deu durante esses quatro anos, te garanto que na maioria você soube se equilibrar bem após um tropeço, mas vez ou outra, o tombo é inevitável. O máximo que você vai conseguir, são uns arranhões e a lição de por qual caminho deve parar de andar.
Sei que neste momento, tanta coisa pode estar lhe pesando a mente. Consigo te ver perfeitamente debruçada sob a fronha azul de seu travesseiro. Ou, como é típico, com os olhos marejados em lágrimas, em frente ao espelho do banheiro, se perguntando o que há de errado com você.
Por não conseguir encontrar em si mesma nenhum ponto digno de admiração. Te entendo, e sei que por mais que doa, agora, a sua falta de autoestima, isso também passa.
E sendo bem sincera, quando a vida vai avançando, suas prioridades mudam, e aquelas coisas que nesse momento doem fundo no peito, um dia, quando olhar para trás, só perceberá o quanto aquilo te ajudou a progredir. É quando perceberá que aquela que era você, acabou se tornando eu. Sinto muito por ter matado parte de você dentro de mim, mas foi necessário.
Eu precisava ter a ousadia de ser a pessoa que você sempre quis, mas nunca teve coragem de ser, entende? Precisava encontrar um recomeço para essa alma melancólica que lhe comprime o peito. Não que eu tenha deixado a melancolia, pera lá!
Uma poetisa precisa apenas de uma bagunça na alma, e transformar seus pensamentos em versos.
Mas sei de suas inseguranças. Elas invadem vez ou outra também. Mas se eu pudesse estar aí com você, apenas te enlaçaria em meus braços, e te diria para seguir em frente.
Enfrente!
Enxugaria suas lágrimas, e te falaria das coisas boas que a vida ainda lhe reserva. Te diria, que por mais perdida que você esteja nesse momento, você irá se encontrar.
Falaria que se as coisas não ocorreram da forma como você havia planejado, é porque aquele não era o momento certo para que ocorresse. Ou talvez, algo só não tenha dado certo, para que outra coisa muito melhor tomasse seu lugar.
Te abraçaria, e te faria entender que a vida é como um livro que ainda está sendo escrito, e se você não gosta de mudar os próximos capítulos, para que você não chegue no final, sem ter vivido metade das coisas que gostaria de ter feito.
Te alertaria, que embora sua vida esteja em suas mãos, e cabe a você mesma modificá-la; nem sempre tudo estará sob o seu controle, e que tantas vezes, quando algo dá errado, é apenas para abrir caminho para o que pode ser melhor ainda.
A vida é imprevisível. Mas você deve saber aproveitar todos os caminhos.
Te diria para curtir mais a companhia das pessoas que estão ao seu redor. Nunca se sabe até quando elas estarão com você. Evite uma vida repleta de "eu deveria ter feito". No lugar disso, ouse e se permita mais o "eu fiz, e não me arrependo."
Aproveite a vovó enquanto você ainda pode. Se você soubesse o quão próxima está de perdê-la, pararia de reclamar tanto da mesma macarronada aos domingos, e apreciaria mais as coisas que ela faz por você.
Use para a sua vida todos os bons exemplos que ela já lhe deu.
Te diria, para ter mais confiança em si mesma, e nas coisas que poderá alcançar. Você se subestima demais, e parece não ser capaz de acreditar em si mesma. Pelo menos isso mudou, lhe garanto, mas gostaria que tivesse isso desde essa época. A confiança. Em si mesma. Em sua capacidade. A mais pura confiança, sem nenhum motivo a mais para ser assim.
Se você soubesse as coisas boas que aconteceram nesses quatro anos que nos separam, não seria tão coitadista para consigo.
E isso, só do pouco que amadurecemos em quatro anos. Imagina então, quantas serão as surpresas boas em mais quatro anos?
Por isso, se pudesse, diria para ir levando a vida de forma mais leve. Se preocupe com certas coisas, mas não deixe que suas lamúrias dilacerem o seu sorriso, pois um dia, você finalmente irá entender, que todos aqueles motivos que te fizeram triste, não serão nada comparados aos motivos que te farão feliz por muito mais tempo.
Se pudesse estar aí, apenas te abraçaria. Enxugaria suas lágrimas, e te falaria todas as coisas boas que a vida lhe reserva. 
Mas antes, precisará sair desse quarto escuro, e ter a ousadia de ser a pessoa que sempre quis, mas nunca teve coragem de ser.

17/03/15

Amores são como livros!


Já fiz diversas comparações sobre o amor. Como definir aquele cara que passa pela sua vida, e deixa apenas lembranças daquilo que um dia foi muito bom? Ou então, aquele que chegou ao acaso, como quem não queria nada, vai conquistando aos poucos, mas quando vai embora, devasta e deixa um vazio?
Ora, pois! Amores são como livros. E isso não é só papo de escritora.
Existem aqueles que escolhemos pela capa. É o famoso carinha bonito do ônibus, o livro da prateleira do meio na livraria. Quando conhecemos o conteúdo, nem sempre fazem valer a pena. Deveria ter ficado só admirando de longe mesmo, e não ter levado pra casa.
Você pensa, provavelmente, depois da primeira grande decepção. Quando o inevitável fim chega.
Existem aqueles que aparecem ao acaso, mas deixam algo tão marcante. Aqueles que você vai lembrar, muito provavelmente, mesmo depois de ter terminado cada página, rezando para ter uma continuação. Mas nem toda continuação é tão boa quanto o primeiro livro, e prolongar demais, torna algo que antes era tão bom, em mais uma historinha que vai ficar na lembrança.
Assim são os livros. Assim são os amores.
Existem os clássicos. Esses são interessantes. Você talvez não vá gostar tanto dele de cara. Mas, em algum momento no futuro, eles vão retornar para a sua vida. Em um momento em que esteja preparada para eles, e você perceberá que a leitura não era tão difícil assim quanto imaginava. Embora ainda não seja fácil. Vai perceber que existem livros que devem ser lidos no momento certo da vida, para não ser estragado o prazer da leitura. E instantaneamente, vai se apaixonar. Ou não. E pode preferir nunca ter chegado a lê-lo, mas de algum modo, ele tá modificará por dentro. Eles sempre mudam.
Tem os best seller. Todo mundo já leu, todo mundo já pegou. É o popular entre a galera.
Existem os pequenos. Aqueles companheiros de uma noite só, depois nunca mais. Têm aqueles que você vai passar longos dias lendo. E cada página será mais prazerosa do que a outra. Te fará rir, mas também irá te fazer derramar algumas lágrimas. Mas tudo bem. Os melhores livros, e os amores que mais marcam, são aqueles capazes de despertar em ti uma intensidade de sentimentos. Sejam bons. Sejam ruins. Mas que sejam marcantes.
Têm aqueles que lhe darão um aperto no coração, antes de tudo acabar. E outros, um suspiro de alívio.
Existem aqueles que te marcarão por um dia. Mas tem aqueles, que mesmo depois de acabarem, deixarão uma marca enorme em você. Para toda a vida.
Existem livros para todos os gêneros e gostos. Se você ao achou o seu ainda, talvez ele só esteja no fundo de uma prateleira qualquer daquela biblioteca que você sempre passa na frente. O acaso só não fez conhecê-lo ainda, mas quem sabe, um dia, por curiosidade, o Destino se desenrole.
De qualquer forma, sendo o livro ideal ou não, todos eles vão deixar um pouquinho do que são em você. E vão levar um pouco de ti, para consigo. A saudade pode vir. Você pode até pensar em relembrar, fazendo uma releitura da obra. E lê-las quantas vezes mais achar necessário. Só não se esqueça que, nenhuma releitura tem a mesma intensidade da primeira vez.

09/03/15

Melancônico


As vezes, um pequeno detalhe pode mudar todo o seu dia, transformando todos aqueles sentimentos bons que invadiam-lhe seu peito, permitindo-se ser tomada pela intensa amargura, onde, agora com olhares de pessimista, você vê a tudo com tristeza. 
As portas se fechando para você, as janelas voluptuosamente, fechadas pelo forte vento. 
Vento este, de nome "realidade". 
A realidade é a pior inimiga das emoções, maior aliada da razão. 
Faz com que os mais simples gestos sejam a contra-gosto interpretados. 
Essa é a angústia. 
Invadindo mais uma vez. 
Há dias que já acordamos com vontade de desabar. 
Por tudo. 
Por qualquer ponto solto, que vai se tornando uma enorme teia. 
Há dias que acordamos com aquela imensa vontade de derramar nosso peito em lágrimas, até que cada uma delas lave cada pedaço de nossa alma. 
Há dias, que por mais que queiramos, essas lágrimas não saem. 
Não descem goela abaixo. 
Mas uma coisa é certa: até mesmo esses dias, os piores, apresentam algo bom. 
Basta saber a direção certa a olhar quando tudo estiver vazio... 



* Texto escrito em Dezembro/2014. Entretanto, perfeitamente adequado para essa tarde chuvosa de segunda-feira. 

20/02/15

Senescência

Qualquer idiota pode ser escritor. Digo isso com convicção. Pois sou uma delas. E você também, eu sei. Não me venha com picuinhas. Não gosto de gente que perde tempo fazendo tempestade em copo d'água. Fala sério, amigo! A vida é curta demais e o tempo voa. Não gosto de gente que chora por macho. Anota isso: ele não era bom o suficiente para merecer uma lágrima sua. Então para de ser trouxa, e segue em frente. 
Não gosto do rumo que as coisas estão tomando ultimamente. Ultimamente, desde sempre. A morte me faz refletir na vida. E refletir na vida deixa tudo confuso e atrapalhado.Esse não deveria ser o fim do texto? A ordem não importa. O que convém, é escrever.  Não gosto da forma como as pessoas conseguem ser tão levianas. De irem levando a vida, apenas por levarem. E aqueles que tem um propósito, são cedo levados. 
Assisti ontem aquele filme do Woody Allen, enquanto pensava na morte e no quão cedo ela pode vir para alguns. Fiquei com vontade de assistir a todos os outros. O mundo precisa de arte. De boas artes, novas e das contemporâneas de Charles Chaplin. Precisam ser deixados pela leve insensatez para retornarem um pouco que seja, à realidade. Quero ser compreendida. Mas não gosto de me expor. 
Não gosto de feijão nem batata frita, mas não vivo reclamando sobre isso. Ninguém se importa. E se alguém disser se importar, digo-lhe que isso não é da sua conta. Sou cheia de frescuras. Não gosto de gente fingida e não tomo Coca-Cola. 
Não gosto de gente vazia. Me entristeço com a tristeza alheia e não suporto ver gente chorando em velório. Não gosto de respostas vagas. Sempre me irritam. Não gosto do rumo que as coisas estão tomando ultimamente. 
E gosto menos ainda de você estar aí debruçada ainda sofrendo pelo mesmo mané. Por favor, né! Gosto de vida. E não digo isso dos não-mortos. Vida é aproveitar. Viver e viver. Antes do fim chegar. E ele nem sempre vem conforme a senescência - envelhecimento. 
Gosto de Bossa Nova à Rock and Roll. Mas a vida é mais do que isso. A vida sempre é. Só mantenha seus olhos abertos, e coração leve, antes de seja tarde. 

A vida é assim. 
Não é? 
Uma correlação de fatos aleatórios. 
Não faz sentido pra você? 
Isso também não faz sentido. 
Para mim. 
E nem deve fazer. 
Mas lhe digo uma coisa. 
Qualquer idiota pode ser escritor. 
Desde que tenha algo a dizer. 
 

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